Artigos Educação Espírita – Infância e Juventude

Publicado em 24 de novembro, 2017 | por Administrador

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Educação Espírita – Infância e Juventude

-Walter Oliveira Alves-

A CRIANÇA

A criança é o Espírito imortal que ora reinicia a sua aprendizagem no mundo, trazendo consigo, ao renas­cer, sua bagagem de experiências multimilenares, mas carregando também, em si mesma, o germe de seu aper­feiçoamento.

Seu objetivo na Terra: evoluir, desenvolver suas po­tencialidades interiores, compreendendo a si mesma e o mundo que a cerca, corrigir os erros cometidos no passado, superar os próprios defeitos, desenvolvendo assim, grada­tivamente, o germe da perfeição, que carrega em si mesma como herança Divina.

Desde o berço, a criança manifesta os instintos bons ou maus que traz de sua existência anterior. À medida que os órgãos se desenvolvem, gradualmente sua bagagem in­terior começa a se manifestar.

“O Espírito se encarnando para se aperfeiçoar é mais acessível, durante esse período, às impressões que recebe e que podem ajudar o seu adiantamento, para o qual devem contribuir aqueles que estão encarregados da sua educa­ção.” (O Livro dos Espíritos, questão 383).

ADOLESCÊNCIA E JUVENTUDE

Se a partir do nascimento suas ideias retomam gra­dualmente impulso, a uma certa idade, particularmente ao sair da adolescência, o Espírito deve retomar sua natureza, tal qual era.

“De onde provém a mudança que se opera no caráter, a uma certa idade, e particularmente ao sair da adolescên­cia? É o Espírito que se modifica? R. – É o Espírito que re­toma sua natureza e se mostra como ele era.” (O Livro dos Espíritos – questão 385).

Se o Espírito não se preparou durante o período in­fantil, os impulsos do passado retomam em toda a sua for­ça, podendo, muitas vezes, arrastar o Espírito aos mesmos erros do passado. A ação educativa se torna mais difícil e, não raras vezes, somente o sofrimento, em longos proces­sos de reajustes, conduzirá esse Espírito aos caminhos do bem.

A ação educativa, sabiamente aplicada na infância, oferecerá ao Espírito reencarnado a oportunidade de desen­volver suas qualidades interiores, sentimentos superiores, noções nobres, ideais elevados, para que esse Espírito pos­sa saber lidar com os impulsos que vão surgindo e outros que somente surgirão mais tarde.

Claríssima está a importância de o Espírito atingir a mocidade preparado intelectual e moralmente. Importantís­simo esse Espírito manter o vínculo com outros jovens, em clima de estudo, troca de ideias e vibrações elevadas.

Que outras experiências e reajustes aguardam o Es­pírito após a juventude? Que outras experiências o aguar­dam aos 40, 50 ou 60 anos? Desde tenra infância à velhice, a existência planetária oferece ao Espírito oportunidades valiosas de aprendizado e aperfeiçoamento. Mas, sem dúvi­da, a fase mais propícia é a infantil.

Mas onde encontrar as bases para a verdadeira edu­cação, a educação do Espírito?

***

Era primavera no ano 75.

Ignácio de Antioquia dormia sereno. De repente, entre o pranto e a alegria, viu que uma figura feericamente ilu­minada se lhe aproximava do coração, como se suas vestes resplandecessem o firmamento das estrelas do Infinito. Não teve dúvidas em reconhecer a presença do Mestre adorado, acenando ao longe.

Instintivamente, jogou-se de joelhos aos pés do Se­nhor, que levou as mãos abnegadas à cabeleira espessa de Ignácio.

Com voz branda e compassiva, Jesus lhe disse ape­nas:

“– Ignácio, lembra-te de que disse aos meus discípu­los para que deixassem vir a mim as criancinhas!”

A inesquecível visão se desfez junto às brumas da ma­drugada. Ao pé da relva umedecida do sereno da manhã, Ignácio acordou, em convulsivo pranto. Cefas assustou-se, acudindo-o pressuroso.

Ignácio o tranquilizou:

“– Cefas, meu filho, Jesus veio nos dar a sua bên­ção misericordiosa, instruindo-nos no caminho a seguir. De hoje em diante, nos devotaremos à evangelização da criança para o Cristo. Apollônia Pôntica vai marcar o início de novas atividades com Jesus. Haveremos de encontrar corações devotados à infância para guiá-la em nome do Mestre, para as bênçãos da Eterna Luz! (…)”

Em Apollônia Pôntica, generosas senhoras se predis­puseram ao trabalho de amparar e instruir as criancinhas para as luzes do Evangelho de Jesus. Foi lá que Ignácio e Cefas encontraram uma jovem senhora romana, de nome Blandina, que se destacou pelo devotamento e pelo carinho no amparo aos pequeninos. *

(* Do livro Ignácio de Antioquia, de Theophorus, psicografia de Ge­raldo L. Neto, ed. Vinha de Luz).

A grande obra de educação da infância e da juven­tude, à luz do Evangelho de Jesus, nasceu no ano 75, em Apollônia Pôntica, por sugestão do próprio Cristo a Ignácio de Antioquia. Blandina, hoje conhecida como Meimei, foi uma das primeiras evangelizadores da infância de que se tem notícia.

Não há dúvida de que a Educação Espírita tem como base o Evangelho de Jesus e os conhecimentos que a Dou­trina Espírita nos apresenta, tais como: a imortalidade da alma, a vida no Mundo Espiritual, a existência de um corpo sutil ou perispírito, a comunicabilidade com os Espíritos, a reencarnação, a lei de causa e efeito, a evolução e, princi­palmente, a noção de que todos já trazemos em nós mes­mos a essência Divina, em estado latente, como a semente já traz, em si mesma, todas as qualidades da árvore em estado germinal. Jesus falava sempre que devemos buscar o Reino de Deus, chegando a afirmar que o Reino está dentro de nós. Tomando de um grão de mostarda, que é uma minúscula semente, afirmou que “O Reino de Deus é semelhante a um grão de mostarda, que um homem tomou e semeou em seu campo. Na verdade, ele é a menor de todas as sementes, mas, depois que cresce, torna-se uma árvore enorme, de sorte que as aves do céu vêm habitar seus ramos “(Mateus 13:31-32 ). Jesus afirmou ainda que ”o que eu faço vocês também o poderão fazer e ainda mais. Sede vós, pois, perfeitos com o vosso Pai é perfeito” (Ma­teus 5:48).

Em O Livro dos Espíritos, questão 776, temos que “O homem, sendo perfectível, e carregando em si o ger­me de seu aperfeiçoamento…” – o que demonstra que já trazemos em nós todas as qualidades passíveis de aper­feiçoamento, ou seja, as potências da alma a serem de­senvolvidas.

Emmanuel, na obra Pensamento e Vida, afirma, que “duas asas conduzirão o Espírito humano à presença de Deus. Uma chama-se amor, a outra, sabedoria”. Na mesma obra, dedica todo um item para falar da vontade.

Léon Denis, na obra O Problema do Ser, do Destino e da Dor, afirma que são três as potências da alma: o amor, a inteligência e a vontade.

Na área pedagógica, chamamos de aspecto cognitivo (inteligência), aspecto afetivo (sentimento, amor) e aspecto volitivo (vontade).

Pestalozzi, há dois séculos, afirmava que a criança já trazia todas as faculdades da alma em estado germinal, à semelhança da semente que já traz em si as qualidades da árvore.

É pela educação que se deve cultivar harmoniosa­mente as diferentes faculdades do ser, representadas pelo cérebro, pelo coração e pelas mãos.

O desenvolvimento intelectual está ligado ao cérebro, o desenvolvimento afetivo e moral é simbolizado pelo cora­ção, e a ação, atividade, desejo, vontade de realizar estão representados pelas mãos.

Cada ser já possui, em si mesmo, o germe dessas qualidades, em estado latente. À educação cabe a tarefa de auxiliar o seu desenvolvimento. Mas cada ser também possui, em si mesmo, um impulso, ou ânsia irreprimível de perfeição. O educador deve cultivar esse impulso e for­necer os meios adequados para que esse desenvolvimento ocorra.

No entanto, essas qualidades não se desenvolvem simplesmente com aulas teóricas, mas, sim, com atividades e vivências. Aulas dinâmicas com a participação ativa das crianças.

Nada deve ser ensinado verbalmente antes de a crian­ça ter compreendido o real significado do objeto ou fenôme­no. A esse processo, Pestalozzi denominou de Método Intui­tivo, que, até hoje, é muito mal interpretado.

Assim, muitas vezes, a aula se iniciava com um pas­seio pela Natureza, onde a criança se punha a observar, o que incluía olhar, ouvir, tocar, comparar, analisar. Ao mes­mo tempo em que observava, surgiam as dúvidas, os “por­quês”, que levavam a criança a querer saber, despertando sua vontade de aprender.

Assim, toda a sua mente se punha em atividade, utili­zando os conhecimentos que já possuía, para compreender o novo conceito em análise ou a compreensão do fenômeno em seu aspecto global. E, não raras vezes, um fenômeno envolve conhecimentos de varias áreas.

Tudo o mais que for pesquisado em sala de aula es­tará em consonância com essa busca interna do próprio aluno. Se o professor apenas explicar os fenômenos, mes­mo com recursos modernos, estará trabalhando muito mais com a memória do que com o desenvolvimento mental, ou seja, com a capacidade de pensar, raciocinar, buscar novas soluções, etc.

Se o professor fizer as perguntas, o aluno limitará sua busca às respostas àquelas questões.

A genialidade de Pestalozzi estava em levar o aluno a observar os fenômenos à sua volta e incentivá-lo a buscar as respostas às próprias perguntas que surgiriam em sua mente.

Portanto, o termo intuição não pode ser confundido com percepção simplesmente. Não é um ato de simples percepção, mas de trabalho mental, em que o próprio alu­no compreende os conceitos, inicialmente através da per­cepção pelos órgãos dos sentidos, mas que é, ato contínuo, um trabalho de ação mental ou, na moderna linguagem de Piaget, de construção mental. (Vide Pestalozzi, um Roman­ce Pedagógico, do mesmo autor, IDE Editora).

Assim, antes de obter uma definição do professor, ele compreende o conceito em sua essência.

Da mesma forma, o desenvolvimento do amor ou do aspecto afetivo/moral ocorre através da vivência.

“O olho quer ver, o ouvido ouvir, o pé quer andar e a mão agarrar. Da mesma forma, o coração quer crer e amar, e o Espírito quer pensar. Existe, em cada um dos dotes da natureza humana, um impulso que os faz elevar do estado elementar primitivo ao de adaptabilidade e perfeição. O in­culto que ainda existe em nós é apenas um germe em esta­do potencial e não a verdadeira potencialidade.” (Pestalozzi, em O Canto do Cisne).

Citamos Pestalozzi por ser ele, sem dúvida, o maior representante, na teoria e na prática, de uma Pedagogia Es­pírita. Sua ideias estão inteiramente em sintonia com as noções que aprendemos na Doutrina Espírita. Não foi por acaso tenha sido ele o professor de nosso Allan Kardec.

A educação baseada no despertar dos poderes laten­tes do Espírito é a que realmente promove o desenvolvimen­to integral de todas as infinitas possibilidades do Espírito imortal, filho de Deus, e o conduz à autonomia integral, ca­paz de utilizar a própria vontade para seguir nos caminhos do bem, do belo, do melhor, enfim, no caminho que conduz à perfeição.

Seu maravilhoso trabalho foi completado, mais tarde, por Eurípedes Barsanulfo, ao incluir o ensino da Doutrina Espirita no Colégio Allan Kardec, em Sacramento, Minas Gerais.

É Corina Novelino quem nos fala de Eurípedes, na obra Eurípedes, o Homem e a Missão:

“Na frontal da porta modesta, lia-se Liceu Sacramen­tano (…) Acrescentara, corajosamente, o ensino da Doutri­na Espírita ao currículo, o que suscitara o descontentamen­to dos pais católicos.“

A maioria levou a Eurípedes a ameaça de retirar os filhos do Liceu, caso mantivesse o Professor a decisão de lecionar Espiritismo.

“– Que retirem os filhos, mas a finalidade salvadora do aprendizado espírita será mantida.”

Um dia, porém, ele se entristecera profundamente. Achava-se abandonado quase, no vazio da sala de aula. Pusera-se a chorar, no silêncio de ardorosa prece. (…)

Eis que uma força superior toma-lhe o braço e, meca­nicamente, transmite pequena mensagem, mais ou menos nestes termos:

“Não feche as portas da escola. Apague da tabuleta a denominação Liceu Sacramentano – que é um resquício do orgulho humano. Em substituição coloque o nome – Colégio Allan Kardec. Ensine o Evangelho de meu filho às quartas­-feiras e institua um curso de Astronomia. Acobertarei o Colégio Allan Kardec sob o manto do meu Amor. – Maria, Serva do Senhor.”

Ao colocar o nome de Colégio Allan Kardec, Eurípedes caracterizou o colégio como uma Escola Espírita, ou seja, um espaço onde se estuda, aprende e vive os princípios da Doutrina Espírita.

A Casa Espírita representa hoje a Escola Espírita em toda a sua simplicidade, beleza e dinamismo espiri­tual, vivendo o amor, iluminando o coração e a mente das crianças, dos jovens, dos adultos e mesmo do Espírito de­sencarnado, pois somos todos, em essência, Espíritos em evolução.

O que é, pois, a Educação Espírita senão a ciência e arte da educação do Espírito, o processo através do qual se desenvolve o “germe” da perfeição no íntimo de cada um, Espíritos imortais que somos, filhos e herdeiros de Deus. É o desenvolvimento gradual e progressivo das potências da alma, através do exercício do amor e do “conhecimento de si mesmo”, que faz germinar essa essência Divina e dar os frutos do amor e da sabedoria.

É o retorno do amor e da verdade Universal ao cenário pedagógico da humanidade, através da coragem de expres­sar essa verdade sem preconceitos, sem meias verdades, como o fez Eurípedes Barsanulfo.

Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. A frase de Jesus ressoa ainda, ecoando através dos séculos de lutas em defesa dessa mesma verdade. O conhecimen­to da verdade universal, trazida até nós pelo Espírito de Verdade, é indispensável ao conhecimento de si mesmo e, portanto, ao desenvolvimento das qualidades interiores da alma, das potências do Espírito, a fim de adentrarmos nessa nova etapa evolutiva como um planeta de regene­ração.

Não existe educação, em seu significado profun­do, sem o exercício do amor e sem o conhecimento de si mesmo, ou seja, sem que o educando se reconheça como Espírito imortal, filho de Deus, dotado do germe da perfeição, sujeito às leis de causa e efeito e, portan­to, responsável pelos seus pensamentos e atos, a nascer e renascer num aperfeiçoamento gradual, mas contínuo, rumo à perfeição.

Auxiliar o Espírito com a verdade absoluta de nos­sa existência espiritual é nossa tarefa prioritária no mo­mento evolutivo que vivemos. É nosso compromisso com Jesus, com Kardec, com a plêiade dos Espíritos Supe­riores que dirigem nossa evolução e com nossa própria consciência.

A Educação Espírita ou, poderíamos dizer, a Peda­gogia Espírita está presente hoje na mente e no coração dos educadores que enfrentam todos os preconceitos por amor à verdade, independentemente do título de professor, mestre ou doutor, que são resquícios da vaidade humana.

Está presente nos jovens e adultos que labutam na evan­gelização infantojuvenil, que palestram nas casas Espíri­tas, que participam nos grupos de estudos, das ativida­des assistenciais, exercitando e exemplificando o amor ao próximo. Está presente no jovem que atua no teatro, que canta e dança, fazendo da arte sublime escada de elevação do Espírito.

No entanto, é muito importante, imprescindível mes­mo, abrir espaço para a participação das crianças e jovens nas demais atividades da Casa Espírita, compreenden­do que são eles o futuro do Movimento Espírita em nosso planeta-escola, rumando hoje para se tornar amanhã um Mundo de Regeneração.

(Artigo extraído do Anuário Espírita 2017 – Ide Editora).



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