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Publicado em 1 de junho, 2012 | por Infinito AG

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A Federação Espírita Brasileira

Por Elaine Maldonado

Em 02 de janeiro de 1884, na residência do Sr. Augusto Elias da Silva, situada na então Rua de São Francisco de Assis, nº 120, atual Rua da Carioca, na cidade do Rio de Janeiro, foi fundada a Federação Espírita Brasileira.  De acordo com a revista O Reformador, a finalidade da FEB era “a propaganda ativa do Espiritismo pela imprensa e por conferências públicas”.

A revista será o principal meio de divulgação impresso e as conferências, o principal modo de atrair a atenção da sociedade carioca para a doutrina. O antropólogo Emerson Giumbelli fala sobre essas conferências em seu livro “O cuidado dos mortos”:

“Foram 23 conferências, distribuídas em três séries, proferidas respectivamente nos anos de 1885, 1886 e 1887 por diretores e outras pessoas ligadas à FEB e a outros grupos então existentes. Na oportunidade em que foram realizadas, essas conferências foram saudadas pelo Reformador como empreendimentos de êxito, conseguindo atrair para o espiritismo a atenção de um grande número de pessoas.” [i]

A própria revista O Reformador fala em cerca de 500 pessoas em cada uma das 23 conferências, o que mostra que elas foram um eficiente veículo de divulgação da doutrina.

Nem só de conferências e da revista, no entanto, vivia a FEB. Desde seus primórdios, o trabalho assistencial foi uma marca importante da instituição. Havia os médiuns receitistas, que atendiam gratuitamente a população carente e quem mais os procurasse, realizando consultas e prescrevendo fórmulas homeopáticas que eram preparadas ali mesmo. O trabalho desses médiuns foi estudado por vários pesquisadores e, de acordo com Sylvia Damásio, eles se tornaram figuras importantes na comunidade, pois supriam uma carência da população que, em sua grande maioria, não tinha acesso a um serviço público de saúde adequado.[ii]

Outro fato que chama bastante a atenção é concessão de cartas de alforria a escravas, muitas vezes feitas durante reuniões na própria FEB, o que demonstra o caráter profundamente humano e caridoso da instituição.

Ainda no século XIX, uma polêmica se instala. Dentre os grupos espíritas então existentes, alguns defendiam o caráter “científico” do Espiritismo, enfatizando as experiências de comunicação; e outros, o caráter “místico”, com ênfase nos ensinamentos doutrinários.

Esse impasse será resolvido quando Bezerra de Menezes assume a presidência a partir de 1895. Defensor ferrenho da doutrina, ele será o grande responsável pela supremacia do caráter religioso do Espiritismo no Brasil.

De acordo com o próprio site da FEB, a instituição vivia um momento difícil em 1895 com uma grave crise financeira e a deserção de muitos membros.

Procurado pelos membros remanescentes, “Adolfo Bezerra de Menezes assume, então, a presidência, eleito em 3 de agosto de 1895 e começa o trabalho de reconstrução, imprimindo à instituição a orientação doutrinário-evangélica na qual ela se manteve firmemente até nosso dias. Equilibrou a situação financeira, para atender aos encargos e serviços e reorganizou todos os trabalhos da Casa”.[iii]

O Dr. Bezerra de Menezes, aliás, é uma das figuras mais notáveis do meio espírita do século XIX. Filho de tradicional família católica formou-se em medicina em 1856, tendo exercido a profissão por cerca de 30 anos. Político foi vereador no Rio de Janeiro, presidente da Câmara e deputado geral até 1885, quando encerrou sua carreira política. Abolicionista, colaborou em periódicos liberais com artigos em defesa da libertação dos escravos, como A Reforma e a Sentinela da Liberdade.

Seus biógrafos situam sua conversão ao espiritismo a partir da cura, através de

um médico receitista, de uma persistente dispepsia. A partir daí, Bezerra de Menezes aprofundou-se no estudo da doutrina e em 1886 converte-se publicamente, durante uma conferência que proferiu no Salão da Velha Guarda. A conversão de uma personalidade notória como ele foi muito importante para a difusão da doutrina.

A partir de sua gestão, a FEB se tornará a mais importante instituição espírita do país e, se a princípio ela tinha como objetivo ser uma divulgadora da doutrina, com o passar do tempo assume a função de representar os demais grupos, além de nortear-lhes as atividades.


[i] GIUMBELLI, Emerson. O Cuidado dos mortos: uma história de condenação e legitimação do espiritismo.  Rio de Janeiro: Arquivo Nacional, 1997, p.80.

[ii] DAMAZIO, Sylvia F. Da elite ao povo: advento e expansão do espiritismo no Rio de Janeiro. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1994.

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