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Publicado em 27 de novembro, 2018 | por Centro Paz e Amor

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Condições para o desenvolvimento do ser humano

Ante os desafios que a humanidade terrestre enfrenta no momento atual, tais como crises financeiras e econômicas; revoluções e conflitos bélicos de  diferentes procedências; superpopulação; doenças e desnutrição generalizadas; mudanças climáticas extremas; terrorismo e crime organizado, faz-se necessário repensar, em caráter de urgência, a forma como estamos vivendo (e convivendo).

As oportunidades financeiro-econômicas e educacionais, não são capazes, por si mesmas, de elevar as condições espirituais do ser humano, enquanto o enfoque estiver centralizado na aquisição/consumo de bens, produtos e serviços, cada vez mais sofisticados e elitizados. Se o foco é a vivência do hedonismo*, com excessivo apego ao que é transitório no plano físico, a vida passa a não ter sentido. Mas sendo o ser humano herdeiro de possibilidades divinas, uma mudança para melhor deverá ocorrer em sua caminhada evolutiva, cedo ou tarde. Neste sentido, destacamos os seguintes pontos:

  1. Oportunidade de desenvolvimento das condições materiais: assim entendido como o desenvolvimento que é capaz de suprir as necessidades de uma geração, sem comprometer a vida das futuras gerações. Para o Espiritismo “[…] Deus não podia dar ao homem a necessidade de viver sem lhe concede os meios indispensáveis. É por essa razão que faz a Terra produzir de modo a fornecer o necessário a todos os seus habitantes, visto que só o necessário é útil; o supérfluo nunca o é.” (O Livro dos Espíritos, questão 704)

A  questão primordial, portanto, é aprendermos a contentar com  o necessário, abrindo mão do supérfluo e, acima de tudo, não cometer desperdícios. Ensinam os Orientadores Espirituais, a propósito:

[…] A Terra, no entanto, é excelente mãe. Muitas vezes, também, o homem acusa a Natureza daquilo que só resulta da sua imperícia ou da sua imprevidência. A terra produziria sempre o necessário, se o homem soubesse contentar-se com o necessário. Se ela não lhe basta a todas as necessidades, é que ele emprega no supérfluo o que poderia ser aplicado no necessário. Vede o árabe no deserto: acha sempre de que viver, porque não cria para si necessidades artificiais. Mas, quando a metade dos produtos é desperdiçada na satisfação de fantasias, terá o homem motivo para espantar-se se nada encontra no dia seguinte, ou queixar-se por achar desprovido de tudo, quando chegam os tempos de penúria? Em verdade vos digo: a Natureza não é imprevidente, o homem é que não sabe moderar o seu modo de viver. (O Livro dos Espíritos, questão 704-comentário)

Não pudemos esquecer, independentemente das teorias econômicas vigentes, que todo produto e serviço produzidos têm um custo, não somente o que se paga por ele ao adquiri-lo. Há um custo embutido que viabiliza a sua disponibilidade (trabalho humano, condições de trabalho, desenvolvimento tecnológica, condições éticas e morais de produção, etc). Em uma sociedade justa, que pense não só nos dias atuais, mas na humanidade do futuro, sabe-se que os custos da oportunidade econômica não devem estacionar ou impedir o desenvolvimento social, principalmente no que se refere à educação, saúde, trabalho, bem estar social básico (saneamento, transporte, habitação, lazer etc.). Nestes termos, a melhoria da sociedade resulta na melhoria das pessoas e das nações.

Para o Espiritismo, a questão pode ser bem equacionada quando se coloca em evidência a lei do trabalho e a utilidade da riqueza como  processo de civilizatório, assim resumidos:

  • O trabalho é lei da Natureza, e por isso mesmo é uma necessidade. A civilização obriga o homem a trabalhar mais, porque aumenta as suas necessidades e prazeres.” (O Livro dos Espíritos, questão 674)
  • A natureza do trabalho é relativa à natureza das necessidades. Quanto menos materiais são as necessidades, menos material é o trabalho. (O Livro dos Espíritos, questão 678)
  • Não basta, porém, dizer ao homem que ele deve trabalhar. É necessário que aquele que precisa de trabalho encontre em que se ocupar, e que nem sempre acontece. Quando se generaliza, a falta de trabalho assume as proporções de um flagelo, como a miséria. A ciência econômica procura um equilíbrio entre a produção e o consumo. […]. (O Livro dos Espíritos, questão 685-a – comentário)
  • […] Com efeito, o homem tem por missão trabalhar pela melhoria material do globo. Cabe-lhe desbravá-lo, saneá-lo, dispô-lo para receber um dia toda a população que a sua extensão comporta. Para alimentar essa população que a sua extensão comporta. Para alimentar essa população que cresce sem cessar, é preciso aumentar a produção. Se a produção de um país é insuficiente, será necessário buscá-la fora. Por isso mesmo, as relações entre os povos constituem uma necessidade. […] Mas, para os realizar, precisa de recursos: a necessidade o levou a criar a riqueza, como o fez descobrir a Ciência. A atividade imposta por esses mesmos trabalhos impõem lhe amplia e desenvolve a inteligência, e essa inteligência que ele concentra, primeiro, na satisfação das necessidades materiais, o ajudará mais tarde a compreender as grandes verdades morais. Sendo a riqueza o principal meio de execução, sem ela deixará de haver grandes trabalhos, não haverá atividades, nem estímulos, nem pesquisas. É, pois com razão que a riqueza é considerada elemento de progresso.” (O Evangelho segundo o Espiritismo,  cap. 16, item 7)
  1. Oportunidade educativa: trata-se de uma oportunidade que pode ser sintetizada nesta frase: educar compensa.É fundamental, porém, que todos os indivíduos tenham, segundo os critérios de uma sociedade democrática, acesso universal ao estudo, recebendo-o em igualdade de oportunidades, a fim de  que a liberdade de escolha, entre outros, possa definir-lhes a  sobrevivência por meio de  trabalho profissional digno. A Doutrina Espírita acrescenta que a educação moral é tão importante quanto a intelectual, e devem caminhar juntas, a fim de que a sociedade seja constituída não só de homens inteligentes e capazes, mas que eles sejam, também, pessoas honestas e boas. Eis como o Espiritismo se expressa:

[…] Há um elemento a que não tem dado o devido valor e sem o qual a ciência econômica não passa de simples teoria: educação. Não a educação intelectual, mas a educação moral. Não nos referimos à educação moral pelos livros e sim à que consiste na arte de formar os caracteres, àquela que cria hábitos, uma vez que a educação é o conjunto dos hábitos adquiridos. Quando se pensa na grande quantidade de indivíduos que todos os dias são lançados na torrente da população, sem princípios, sem freio e entregues a seus próprios instintos, serão de admirar as consequências desastrosas que daí resultam? Quando essa arte for conhecida, compreendida e praticada, o homem terá no mundo hábitos de ordem e de previdência para consigo mesmo e para com os seus, de respeito a tudo o que é respeitável, hábitos que lhe permitirão atravessar com menos dificuldades dias ruins que não pode evitar. A desordem e a imprevidência são duas chagas que só uma educação bem entendida pode curar. Eis aí o ponto de partida, o elemento real do bem-estar, o penhor da segurança de todos. (O Livro dos Espíritos, questão 685-a-  comentário]

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Hedonismo = consiste em uma doutrina  que prioriza a busca pelo prazer, considerado  é o único propósito da vida.

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