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Publicado em 7 de março, 2020 | por Centro Paz e Amor

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Julgamento das atitudes alheias

Por que, em determinadas circunstâncias, agimos como juízes implacáveis da causa alheia, se, muitas vezes, sentimos que as pessoas que nos cercam são incapazes de nos compreender e nos julgar adequadamente? Por que somente nos é possível e válido o autojulgamento? Por que nos custa compreender que, quando criticamos negativamente alguém, nos obrigamos à adoção de um comportamento diferente, justamente para não “errarmos” naquilo que temos por inconveniente no outro?

Jesus asseverou:

Não julgueis, para que não sejais julgados. Pois, com o critério com que julgardes, sereis julgados; e com a medida com que tiverdes medido, vos medirão também

Por que vês tu o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que está no teu próprio?

Ou como dirás a teu irmão: Deixa-me tirar o argueiro de teu olho, quando tens a trave no teu?

Hipócrita! Tira primeiro a trave do teu olho e, então, verás claramente para tirar o argueiro do olho de teu irmão.  (Mt 7:1-5) [1]

Muito embora o Cristo também tenha ensinado que a verdadeira justiça repousa em Deus, em inúmeras situações nos comportamos como juízes implacáveis da causa alheia. Assim, ao avaliarmos os fatos e, principalmente, as pessoas, podemos rotulá-los como certos ou errados, bons ou maus, simpáticos ou antipáticos, valorizando-os ou desconsiderando-os, em conformidade com os conteúdos moral, emocional e intelectual que, consciente e/ou inconscientemente, carregamos.

O Espírito Francisco de Paula Vitor anota:

Como tem sido difícil encontrar os indivíduos ocupados com seus compromissos sem se perturbar com os compromissos dos outros!

Comumente, deixa-se de atuar bem numa seara de responsabilidade pessoal para vigiar e interferir na seara de responsabilidade alheia.

(…) Como é fácil observar, grande número de almas vive mais preocupado em notar os outros do que cuidar de si mesmo.

Percebemos, sem embargo, que essa neurose geral de fiscalizar a vida e os compromissos dos outros apenas diz respeito ao que é negativo, ao que se mostra equivocado, ao que é imprestável ao progresso da pessoa.

São poucos os que se aplicam ao bem por terem visto a dedicação ao bem de seus vizinhos.

(…) Por mais que uma pessoa opine sobre a conduta de terceiros, interfira nas ações dos outros ou altere a rota dos semelhantes, com ou sem acerto, não deverá esquecer que a administração que lhe toca mais de perto, diretamente, é sobre a sua própria existência no mundo.  [2]

Na vida, só é possível e válido o autojulgamento, porque somente o próprio indivíduo é capaz de avaliar tudo o que se passa em seu íntimo: o que lhe dói, o que lhe faz duvidar e sofrer, bem como o que lhe agrada e preenche o coração.

Se muitas vezes sentimos que as pessoas que nos cercam são incapazes de nos compreender e nos julgar adequadamente, como é que poderemos ser juízes imparciais das razões alheias? Assim, ao analisarmos alguém, é imprescindível ponderarmos que o seu comportamento é compatível com tudo aquilo que ele conseguiu aprender como sendo o mais correto e adequado, mesmo que a nós possa parecer completamente errado e inconveniente.

E o mais interessante é que, quando criticamos negativamente alguém, estamos nos obrigando a nos comportar de maneira diferente, a fim de não “errarmos” naquilo que temos por inconveniente no outro. Com isso, nos determinamos a viver em nível mais alto e a fazer coisa melhor.

Porém, se procurarmos agir de maneira mais empática e compreensiva, muitas ideias preconceituosas se afastarão de nossa mente. Ao deixarmos de sentir certo prazer em ficar avaliando o comportamento alheio, e, igualmente, comentando-o com as outras pessoas, não mais nos atormentaremos com suas imperfeições de caráter, aceitando o fato de que cada criatura oferece, tão somente, aquilo que tem, e realiza aquilo que sabe, como consequência do grau de maturidade e evolução que já conseguiu alcançar.

Contudo, a constatação dessa realidade não tem a finalidade de nos tornar superiores aos demais. Nós também, em virtude das limitações e dificuldades que ainda carregamos, apenas expressamos e proporcionamos aos demais tudo aquilo que o nosso grau evolutivo nos permite. Por conta disso, será que não estamos também deixando a desejar em muitas de nossas atitudes, decepcionando ou entristecendo aqueles que conosco convivem? Reflitamos sobre isso!

Existe um pensamento atribuído a Madre Tereza de Calcutá que reza: “Se você julga as pessoas, não tem tempo de amá-las”.

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